domingo, 19 de julho de 2015

Portamenton’air #7

Está disponível o Portamenton’air #7, com escolhas para uma noite de verão ao relento.


Para ouvir [aqui]


1. Tame Impala – ‘Cause I’m a Man

2. Django Django – First Light

3. FFS - So Many Bridges

4. IAMX - Happiness

5. Mirror People – Come Over

6. Panda Bear – Principe Real

7. Unknown Mortal Orchestra - Can't Keep Checking My Phone

8. WhoMadeWho - Ember

9. Summer Heart - Beat Of Your Heart

10. RAC - We Belong (Ft. Katie Herzig) (ODESZA Remix)

11. Wilsen – Garden

12. The Drums - Kiss Me Again (RAC Mix)

13. Hot Chip - Cry For You

14. Sufjan Stevens - Should Have Known Better

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Vamos a coisas sérias: Tame Impala

É 13 de Julho e os Tame Impala disponibilizam o seu terceiro álbum em streaming por todo o mundo apesar de só estar disponível nas lojas a 17 de Julho com o título "Currents".

Já prevíamos que este era um álbum especial, depois de ouvirmos o single que aos poucos se conheceu e se entranhou nas várias culturas e subculturas da música. A grande proeza deste terceiro álbum é a capacidade de conseguir chegar a vários tipos de ouvidos. Estou certo que muitos o vão eleger o álbum do ano, outros dirão que a banda mudou o percurso e não gostam. Sendo completamente irrelevante o sentido das opiniões, diria que existirão vozes unânimes que o vão considerar o melhor álbum da banda. E é!

Antes dos trabalhos preparatórios que conduziriam ao "Currents", assistimos a uns exercícios curiosos de Tame Impala no pós "Lonerism" (segunda álbum da banda), que encetava um caminho diferente, recordemos o que aconteceu com a versão de "Stranger In Moscow" do original de Michael Jackson, e outras brincadeiras que andaram pelo Souncloud. 


O caminho fez-se de forma exemplar, os Tame Impala nunca desapareceram, não se retiraram para fazer o seu novo trabalho, trabalharam em paralelo com concertos e digressões, mesmo durante a ameaça inerente relacionada com a saída de Kevin Parker (voz e guitarra). Parte da melancolia e da depressão escondida em alguns temas era atribuída a Parker. Mas a banda reagiu, Parker explorou, trabalhou e rompeu com o passado. Este terceiro trabalho é muito diferente na abordagem e na sensibilidade. É inegável que Parker questionou-se e arriscou um novo caminho, e é com o seu empenho e dedicação, que para além da habitual guitarra e voz, desta vez escreveu, compôs, gravou, produziu e misturou do principio ao fim.



Penso neste novo trabalho como o levantar do pano aos "nascidos das cinzas" e talentosos Tame Impala. O próprio alinhamento é bastante esperançoso. A abertura é feita com o single "Let It Happen" já muito rodado (demais até), como consequência do lançamento precoce. Tenho francas duvidas se estamos perante o melhor tema dos 13 apresentados. Apesar da carga mediática, percebemos há meses que vinha a caminho um álbum diferente logo à partida porque a composição melódica era completamente diferente, a bateria e a voz em linhas inovadoras e a quase ausência de guitarra. 


Quando a certeza da inversão de percurso se instala nos vários temas que vamos entretanto percorrendo, passamos por "Yes I'm Changing" onde existem evidências da mudança assumida pela banda não só ao nível da sonoridade, mas estruturais. Não tenhamos duvidas que estamos perante um trabalho marcado e feito para romper com os trabalhos anteriores. Os australianos (ou só mesmo Parker) querem agora uma banda mais pop e mais festiva do que o rock psicadélico que apregoaram durante quase 10 anos, que foi bom e do qual vamos ter saudades. 

Nem sempre a mudança tem de significar uma transformação pesada esquecendo determinados contextos. Os Tame Impala garante a continuidade da emotividade, do amor e das relações humanas espelhadas nas letras bem escritas e delineadas no comum. Continuam a existir temas poderosos como "'Cause I'm a Man" com um refrão simples "I'm a man, woman/ Don't always think before I do" ou mesmo "Eventually" e "The Less I Know the Better".


Hoje, mais próximos que nunca da cultura indie pop, resta-lhes darem provas ao vivo. Imagino um palco grande onde este álbum possa existir, com um alinhamento poderoso, gradual, com luzes, efeitos e muita energia. Talvez assim consiga esquecer algumas nódoas que tenho relativamente à prestação ao vivo dos Tame Impala. Torna-se evidente que medo de arriscar não existe, ainda que nestas circunstâncias a mudança pode constituir o fim de uma banda, mas este é o renascer de uma banda que estava doente. 

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Do Kimono de Sparks à duplas contemporâneas - FFS



Já tínhamos observado uma certo fascínio pelos Sparks na era moderna. É um facto que a banda dos 70’s marcada por ritmos e sonoridades características foi uma espécie de reinvenção do seu tempo, aliada a uma certa euforia daquelas épocas.

Em 2006, numa noite quente do Sudoeste, os Humanos brindavam os portugueses (e só estes poderiam ter a perceção correta), com um concerto mítico assente em temas de António Variações. David Fonseca e Manuela Azevedo anunciam um tema em inglês, que escolheram para aquele momento, lembrando que António Variações também ia gostar de o tocar. Inicia-se talvez um dos momentos principais daquele concerto que retive para sempre na minha memória: “This Town Ain't Big Enough For Both Of Us” – tema dos Sparks, interpretação de David Fonseca e Manuela Azevedo.

Os Sparks não eram uma banda do momento apesar de continuarem a produzir álbuns e a de serem considerados relevantes na cena eletrónica experimental e new wave. Estudei e interessei-me pelos Sparks, a investigação espelhava-se em álbuns vários, e tornou-se completa quando se chega a “Kimono My House” de 1974. Descobri que existiam sonoridades novas e letras fabulosas, meio infantis, quase despropositadas mas cheias de sentido estético.

Volvidos mais de 10 anos desde a sua formação, os Franz Ferdinand, a banda que se relevou ao público português também num Sudoeste, querem os Sparks consigo. Encontram ligações e lançam “FFS” – Franz Ferdinand & Sparks, a super banda de indie rock de 2015. Talvez seja exagerado o título de super banda, não teve esse impacto, mas como será um concerto com esta maralha toda? É uma banda de álbum ou uma verdadeira banda ao vivo? Podemos bisbilhotar os vídeos gravados recentemente no Bataclan em Paris ou no Festival de Glastonbury, e ficamos com a certeza que as duas bandas formam um ambiente mágico, os novos e os velhos, as vozes frescas e as amadurecidas, os americanos e os escoceses, os temas de uns e de outros tocados por todos. Podem não ser uma super banda, mas é um super som.



A crítica não é brilhante, é unanime que a junção de duas bandas poderosas não é genial, mas estou certo que as seis caras que agora dão corpo a uma sonoridade conjunta torna-os ecléticos, especiais, com um bom gosto intrínseco. Não tenho duvidas que nos vamos lembrar de FF(&)S e de 2015, sobretudo quando se perceber que este é um álbum obrigatório.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Róisín Murphy e as suas oscilações na dose certa

Uma parte do mundo entrou em histeria quando Róisín Murphy anunciou para 2015 o lançamento de um LP e Portugal quase saiu da crise (ainda a crise) quando no dia seguinte se anunciou Róisín Murphy no NOS'Alive 2015. É impossível focar atenção em "Hairless Toys", 2015 sem antes revermos a carreira oscilante de Rósín.

Róisin não é indiferente nos vários planos da música, do indie pop à eletrónica experimentalista. É relevante desde Moloko dos anos 2000 quando cantava o "Sing It Back", no auge dos seus 25 anos. Nessa altura o Boris Musical Mix rodava nos pratos, em repeat, um pouco por todas as pistas de dança, acreditando-se que Moloko estava mais orientada para uma boa noite no Algarve entre copos e calor. No entanto, parte dos crentes quando compraram "Things to Make and Do", álbum que incluía o tema, desacreditaram e voltaram a considerar a sua opinião sobre Moloko. Afinal há para lá umas vozes distorcidas, e uma voz "maluca" cantando umas coisas estranhas. E assim o (rico) álbum foi posto de parte por alguns e destacado por outros. Recordo com nostalgia temas como "Indigo", "Pure Pleaser Seeker" ou "Time Is Now" de um álbum que continua a figurar na minha estante.

Depois da loucura do concerto em 2003 no Sudoeste, veio "Statutes" ainda como Moloko, mais temas fortes e inesquecíveis como "Forever More" ou "Familiar Feeling" onde se começa a destacar a vocalista - Róisín. Para além da atitude em palco e dos gestos marcantes, Róisín apresenta-se impecavelmente em sessões fotográficas e outras apresentações, onde se destaca a sua fortíssima irreverência, sóbria, discreta e com alusões ao clássico. Sem darmos conta entranhava-se, através de Róisín, os novos anos 80.

Com a certeza de que Moloko foi apenas o início da carreira de Róisín, em  2005 procura Matthew Herbert e apresenta "Ruby Blue". Um álbum comovente que guardo em vários formatos, especialmente os 3 EPs "Sequins" em vinyl que acabam por dar origem ao álbum. A estética e a inteligência são o sucesso da continuidade de Róisín numa carreira a solo. Com as suas sucessivas apresentações ao vivo, com os vídeos complementares e sobretudo com a delicadeza com que usa a sua voz em ritmos de Herbert, Róisin habita um mundo deslumbrante com a sua marca - o estilo, o seu. Nunca foi demais, sempre na dose certa. Vinca de forma exímia a sua presença e continua a construção da sua identidade. Em pouco tempo apresenta o segundo álbum: Overpowered. O mundo quer mais. 

Nesta fúria, Rósín vai experimentando de tudo um pouco: faz uma nova versão de "Slave to Love" de Bryan Ferry, agora agressiva e pujante, que integra a campanha de uma linha de perfumes da Gucci. Róisín está imparável. Apresenta-se com os Crookers num tema que absolutamente arrebatador da atenção da cena electrónica, onde a sua voz parece no auge, segura e firma na convicção. Rósín a partir daqui pode fazer tudo. 

Em 2014, com 41 anos explora outras linguagens e outros ritmos. Amadurece. Relaxa e deambula por caminhos que só captam a atenção de alguns. Apresenta "Mi Senti" em italiano, com um single estranho "Ancora Tu" que acaba por se tornar irrelevante. Não há fracasso em Róisín, há apenas experiências. 





O público e os amantes daquela beleza soberba querem mais, algo consistente. E como sempre, sem se esperar (os timings em Rósín são imprevisíveis), Rósín apresenta-se ao mundo (dela) com "Hairless Toys", apesar de todo o percurso, considerado o terceiro álbum da carreira oscilante. 
É talvez o trabalho mais obscuro e mais centrado na qualidade do som, a voz conjugada com o trabalho de teclas, sintetizadores e (alguns) ritmos, o foco está sonoridade e na composição. Introspectivo e pouco dançável. O publico não reagiu bem - é pouco mainstream. Os críticos não deram notas excelentes. Talvez se esperasse mais desta fase e do terceiro álbum, mas continuo a achar que o alinhamento faz sentido, que este filme anos 80 que Róisín nos trouxe em formato de LP nos pode fazer bem, que o single "Exploitation" é um exercício mental. Há comparações com as vozes de Ball Scene LGBT dos USA, fala-se em temas em formato de baladas de amor, e a obscuridade, muito darkness em Rósín. Eu prefiro pensar em "Hairless Toys" como um álbum para ouvir do inicio ao fim, num dia especial, talvez sozinho, e aproveitar os 50 minutos de pura experiência sonora recordando que quem canta é Rósín, a diva que a ela tudo se permite. 


Róisín actua no NOS Alive 2015 a 10 de julho. 



terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Danças em tempo de guerra

Não sendo uma tradução literal, Belle & Sebastian apresentam "Girls in Peacetime Want to Dance" num ano que se inicia com grandes avanços na cena indie, e poucos na guerra dos mundos. E é precisamente neste contexto que a banda irlandesa criou a necessidade (ou não) e apresenta o seu nono álbum de estúdio.

A banda evoluiu desde Tigermilk, a formação original sofreu alterações com entradas e saídas de membros, mas a sonoridade mantém-se fiel e genuína, reconhecível na voz de Stuart Murdoch, que apesar da sua doença crónica insiste no sonho de manter viva a banda que construiu.

Diretos e eficazes, desenvolveram temas dançáveis, é certo, mas que fogem do enquadramento que gostávamos em Belle & Sebastian. Abrem com "Nobody's Empire" que, sendo um exercício de métrica, apela ao sofrimento que Murdoch vive, recorrendo a palavras duras, frases difíceis, terminando de forma estridente - He told to me to leave that vision of hell to the dying Oh to the dying. Também a capa do álbum, faz o apelo a uma muletas e a um estado "doença". Elege-se como uma verdadeira capa, uma vez que é a primeira vez que não usa a típica fotografia monocromática ainda que continue na linha das capas eternas dos Smiths.

O destaque vai para o single de apresentação "The Party Line" teve e tem o impacto desejado, remetendo para uma sonoridade já conhecida em outras bandas. Mais dançável e com mais eletrónica, desenvolve-se em ritmos da indie pop agora assumidos pela banda. Salienta-se a produção de Ben H. Allen III (Animal Collective e Washed Out) que em muito contribuiu para o recurso a cow bells e outros instrumentos de ritmos novos, que estão na moda, e desconhecidos até então na linha de pensamento dos Belle & Sebastian. Não tenho duvidas que este é o tema que melhor funciona ao vivo, e que catapultou o álbum para a cena indie pop, de outra forma teria estado mais apagado e esquecido.


Outros temas desenvolvem-se em torno de diferentes escapatórias, se por um lado "The Cat With The Cream" remete-nos para infâncias perdidas em cavaleiros e guerreiros onde gatos criam magia, por outro "Perfect Couples" transporta-nos para um caribe de movimentos suaves baseado em vidas conjugais. A grande perturbação do álbum reside precisamente na ligação entre temas que não existe ou é forçada.

Claramente esta é uma tentativa de mudança de direção da banda, recorrendo a outras sonoridades mais festivas e animadas. Talvez o caminho seja este, tenho duvidas quanto à sua aplicação ou necessidade numa banda como Belle & Sebastian.

Belle & Sebastian estarão a provas ao vivo no Primavera Sound 2015, no Porto.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Björk e o seu novo ensaio: Vulnicura

Björk regressa do submundo onde esteve durante 4 anos, e apresenta de forma forçada o seu nono álbum “Vulnicura”. O lançamento que estava em preparação para Março de 2015, acabou por ser antecipado para Janeiro, uma vez que foi disponibilizado de forma ilegal na internet. Ainda assim, no dia seguinte ao lançamento digital (20 de Janeiro de 2015), liderou tabelas de vendas em pelo menos 36 países.

A islandesa habitou-nos a uma introspeção forçada quando os seus álbuns tocam, lidera uma espécie de estado hipnótico assente em trabalhos com sons e palavras que nos transportam para realidades extra-humanas, mas mais reais do que a própria Björk. Tenho para mim, que nunca vamos conseguir sentir a música de Björk exatamente da forma como a própria a cria, é um estado de nirvana que nunca conseguiremos assimilar. Talvez seja por isso que Björk é tão amada e odiada, tão transparente e tão opaca.

Sabemos agora, que este álbum apela à perceção do fim da união/relação, reproduzindo uma experiência na primeira pessoa, narrando causas e consequências inerentes a um final. Falamos da relação de Björk com Matthew Barney que durou uma carreira e que inspirou outros álbuns, com outros motivos e outras convicções. Mas o que se retira desta experiência introspetiva de Björk não são recomendações ou lições de vida, trata-se antes de uma banda sonora para ajudar a esfolhear o álbum com retratos de uma vida conjugal. Em Lionsong a islandesa introduz o tema: “Maybe he will come out this, Maybe he won't, Somehow I'm not too bothered either way”, o que prova que já foi tempo de I Miss You (1995). Björk poderia ter-se tornado uma mulher azeda e fragilizada, mas apesar da perda (e o fim de uma relação é sempre uma perda), enaltece-se num tema que certamente constará dos próximos greatest hits.

Tecnicamente é um álbum construído com linhas melódicas bem definidas para os instrumentos, sobretudo cordas, o que para além de ser o complemento para a voz que funciona por si só como o “primeiro violino”, é justamente a disponibilização de samples para remixes. As batidas são suaves e remetem-nos para um ensaio em torno de outros álbuns que eclodiram no seio da relação que agora termina.

Mas não é só de perda que o álbum trata, Vulnicura auxilia no exercício do recobro, erguendo a cabeça, com os pés orientados para o caminho da luz. A própria capa do álbum remete-nos para uma imagem divina, iluminada, que olha mais além, descobrindo nas profundezas um novo itinerário. Em Atom Dance, com Antony Hegarty (Antony and the Johnsons), ouvimos o refrão “When you feel the flow as primal love, Enter the pain and dance with me, We are each others hemispheres”, sendo esta, por si só, a mensagem de esperança e de reconciliação.

É sabido que Björk é uma espécie de dama das camélias do estio eletrónico, que absorveu o mundo há mais de 20 anos, mas a cantora faz parte do imaginário de uma parte dos que se deixam absorver, e ter um novo álbum, é ler mais um capítulo deste livro que não acaba, porque não queremos.

Vulnicura não termina na escuta, não ficou desacreditado com o lançamento precoce, não é só um álbum que enaltece as relações e o fim delas, é antes o começo de uma nova com muitas epístolas para evangelizar.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A revisão do ano 2014


A habitual revista do ano vem tarde mas chega mesmo antes de 2014 terminar. Foi um ano com novas estrelas europeias, com muito futebol e Ronaldo nos tops, com Francisco Papa em glória para lá dos homens, com mortes no cinema, na literatura e por todo o lado, com Reis a abdicar e tantos a quererem reinar num mundo onde até aviões desaparecem...

Este foi um ano pobre em tempo para escutas, rico em álbuns e surpresas. Pessoalmente, um ano cheio e portanto com banda sonora marcante associada a cada momento que ajudou a compor este embrulho que agora deixo para trás.

Foi um ano marcado por regressos como o de Bryan Ferry, por álbuns fortes cheios de compromisso com o passado onde se bebeu influência e se transformaram os ritmos em novas batidas, em novos artistas e novas bandas. Como em tudo na vida, a mudança de um ano traz novidade e ambição para o futuro. O caminho da música, digo-o várias vezes, está encaminhado. Mudaram-se os tempos e as vontades e agora segue-se uma linha de sofisticação que marcará esta década. Em especial a música Portuguesa merece menções honrosas (várias) pela forma como os produtores e artistas têm feito as suas parelhas, dando forma a projectos muito interessantes, vingando num mundo competitivo e cheio de volatilidades como é a industria da musica.

No entanto, e como retrospectiva final, não posso deixar de anotar uma preocupação: deste ano não levo nenhum álbum que tenha ouvido até a exaustão, não levo aquele álbum que me vai acompanhar em sonhos e deambulações. Levo no entanto, alguns concertos e muita folia à volta da música. 

Como habitual pedi a alguns amigos com quem me perco em conversa sobre música para fazerem as suas escolhas. Ei-las:


Diogo Ai
1. Perfume Genius - Too bright
2. Chet Faker - Built on glass
3. Thom Yorke Tomorrow's modern boxes
4. Jessie Ware - Tough love
5. Future Islands - Singles
6. Erland Oye - Legau
7. S Carey - Range of light
8. You cant win charlie brown - Diffraction/Refraction
9. Sharon Van Etten - Here we are
10. St. Vincent - St. Vincent


Joana Freitas

1. Pharrell Williams - Girl
2. Skrillex - Recess
3. Dilated Peoples - Directors of Photography
4. The Roots - …And Then You Shoot Your Cousin
5. Coldplay - Ghost Stories
6. Sia - 1000 Forms of Fear
7. Freddie Gibbs & Madlib - Piñata
8. Atmosphere - Southsiders
9. D'Angelo and The Vanguard - Black Messiah
10. Flying Lotus - You're Dead!


Luís Moita 

1. BECK "Morning Phase"
2. THE WAR ON DRUGS "Lost in the Dream"
3. FUTURE ISLANDS "Singles"
4. ELBOW "The Take Off and Landing of Everything"
5. DAMIEN RICE "My favourite Faded Fantasy"
6. CARIBOU "Our Love"
7. SHARON VAN ETTEN "Are We There"
8. LISA GERRARD "Twilight Kingdom"
9. MARISSA NADLER "July"
10. PERFUME GENIUS "Too Bright"


Carolina Patricinio

1. Batida - Dois
2. Capicua - Sereia Louca
3. Keep Rasors Sharp - Keep Rasors Sharp
4. Dead Combo - A Bunch Of Meninos
5. TV Rural - EP Barba
6. For Pete's Sake - House
7. Júlio Pereira - Cavaquinho
8. Sharon Jones & the Dap Kings - Give the People What They Want
9. Beck - Morning Phase
10. The Black Keys - Turn Blue


Rui Ramos

1. Wovenhand - Refractory obdurate
2. The War on Drugs – Lost in the dream
3. The Soundcarriers –Entropicalia
4. Jad Fair and Danielson – Solid gold heart
5. Wildest Dreams – Wildest Dreams
6. Shellac – Dude incredible
7. Perfume Genius – Too bright
8. Jozef van Wissem & SQÜRL - Only Lovers Left Alive OST (2014)
9. Eels - The Cautionary Tales of Mark Oliver Everett (2014)
10. Gala Drop – II





Este complexo exercício a que já nos habituámos reforça a ideia de que não é fácil escolher. 

No entanto, teimo em fazer as minhas seleções que em muito simplificam a memória do que fica que, de forma seletiva, contribuí para a menor dispersão.







As minhas escolhas de 2014 vão para:

1. The War On Drugs - Lost In a Dream

2. Metronomy - Love Letters

3. Caribou - Our Love

4. Perfume Genius - Too Bright

5. Todd Terje - It's Album Time!

6. Beck - Morning Phase

7. St. Vincent - St. Vincent

8. Sharon Van Etten - Are We There

9. FKA Twings - LP1

10. Capicua - Sereia Louca



Melhor festival: Super Bock Super Rock Meco 2014

Melhor concerto: Oh Land no Super Bock Super Rock Meco 2014

Melhor tema-vício: "Under The Pressure" dos War On Drugs

Melhor remix: Metronomy - Love Letters (Soulwax Remix)

Menção Honrosa em Português: Sensible Soccers