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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Junior Boys | Big Black Coat

O destino diariamente confronta-me com os Junior Boys, quando menos espero, os sons da banda ecoam debaixo das pedras onde tropeço. 

Os Junior Boys são fascinantes e têm um poder de sedução absolutamente dominador. Facilmente se associa o repeat a alguns temas, as danças frenéticas a batidas e uma perdição por caminhos da música que
só com as vozes de Jeremy Greenspan e Matt Didemus em dueto tudo faz sentido.

Chega-nos agora no romper de 2016 o tão esperado regresso dos Junior Boys com o  "Big Black Coat", o quinto álbum da banda canadiana.




Não será na novidade que construímos o desenvolvimento dos Junior Boys, mas vamos descobrir uma face diferente. Não queremos perder o que nos afeiçoou no primeiro instante, com o "So This Is Goodbye" de 2006 ou "Begone Dull Care" de 2009, por isso se mantém o estilo, arriscando somente na homenagem do techno/house mais alternativo. Chegam-nos os sintetizadores milimetricamente ajustados, as vozes arrastadas nos semi-falsetes com o naturalismo das letras que nos remetem de imediato para a pista de dança.
Mas Junior Boys não é para ouvir só nas pistas, não é só música para remixes, não é só para ouvir com amigos. Junior Boys pode ser uma experiência solitária e uma espécie de viagem pelo nosso interior, agitando positivamente o que na alma habita. 


"Big Black Coat" constrói-se em 11 temas encadeados que percorrem sonoridades perdidas na influência do techno de Detroit de tempos que nem sempre queremos recordar. Refere a banda que se inspiraram nos Yellow Magic Orchestra, em Plastikman, Robert Hood e Dan Bell. Não são triviais estes binómios criados, nem tão pouco os paralelismos encontrados, teremos no entanto de concordar que foram cinco anos (desde "It's All True") muito produtivos a ouvir o que já foi mágico, criando o que pretende ser novo. Desta vez temos os Junior Boys mais frios e metálicos, talvez mais agressivos e escondidos em notas graves que contrastam com os falsetes de sempre.




É necessário eleger "Over It" como tema vício do álbum, não só porque é o selo precioso, mas porque mata as saudades que tínhamos da banda. O tema título "Big Black Coat" encerra o álbum com a expectativa de que algo mais vai existir. Talvez chegue mais tarde uma versão com remixes. Este é um álbum que pede uma Deluxe Edition, mais completa com tudo o que ficou em estúdio. 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

No dia em que David Bowie se fartou da Terra


Convenhamos que soa sempre a pouco todas as manifestações que fomos assistindo no último mês, um pouco por todo o mundo, sobre a partida de David Bowie.


Não recordo uma manifestação desta dimensão à volta de um artista como aconteceu agora com Bowie. Talvez Bowie tenha marcado mais do que se imaginava, talvez exista um pouco de Bowie nos corações de todos, talvez a perda seja sempre uma árdua tarefa da vida. Uns porque se lembram da música de Bowie que rodava enquanto dançavam ou namoravam na loucura dos 70's ou dos 80's ou dos 90's (Bowie foi de várias épocas), outros porque achavam Bowie o disruptivo no mundo da criação, dono de uma estética e um sábio inventor. O mestre. Há ainda os cépticos, os que não acreditam em lendas e arrastam consigo uma espécie de revolta incompreendida pela onda excessiva de luto quando os artistas desaparecem.

Bowie desapareceu.
É assim que os que gostam de Bowie recordarão o dia  11 de janeiro de 2016. Bowie dissertou sobre histórias que não aconteciam na Terra, portanto se há ícone que desapareceu em direção a outro mundo foi David Bowie. Não me perderei sobre a vida de Bowie, essa está escrutinada ainda que mal escrita biograficamente. Em 2013 ousei escolhê-lo como inicio da rubrica #cicatrizes do Portamento. [ler aqui], onde escrevi "Mr. Bowie é talvez um ícone já imortalizado da música, sem o saber e antes de morrer." 

É sobre o que causou que quero escrever agora. Passaram 3 semanas. É na diluição e na cadência associada aos lutos que conseguimos tirar elações e perceber o impacto do dano causado.
Assistimos e vivemos uma manifestação absolutamente marcante na história da música. O dia em que Bowie morreu ficará gravado na história da música para sempre. Não esqueçamos que a inteligência de David Bowie elevou-se na elaboração de um álbum dias antes da sua anunciada morte - "Blackstar". Numa espécie de requiem Bowie despedia-se do mundo. Quando saiu, no dia do seu 69.º aniversário, considerei que estávamos perante um dos regressos marcantes e talvez o álbum do ano. Apesar de não ser um álbum intuitivo e difícil de digerir, convenhamos que é mais do que um álbum de despedida. Não chega a música para o perceber, são necessários os videoclips fortes que o complementam.  Aí percebemos que "Blackstar" é o ver de olhos tapados, o cantar preso a uma cama, é a ode ao desespero da libertação... o enterro num armário, de madeira.
No dia em que o álbum foi anunciado, pensei e comentei em voz alta que era desta que ia ver Bowie ao vivo. Não foi nem será.

Passados míseros dois dias, acordava-se na ressaca de um álbum novo e de um regresso. Bowie estava somente velho no dia 8/1. Bowie estava morto na manhã de 11/1. Acordei com uma SMS que dizia somente "O Bowie morreu..." Corri para a confirmação na esperança que fosse uma noticia falsa. Muitos correram a dar-me a notícia como se de um familiar se tratasse. Incrível a forma como descrevemos certos dias da nossa vida.

Enquanto isso, a rádio Radar em 97.8 cancelava a emissão programada e no imediato dedicava um dia a David Bowie. No romper da manhã trágica, Inês Menezes despertava para um Bowie visto pelos seus olhos. Passou as suas preferidas, passou outras que são Bowie mesmo não sendo. Inês tem o coração na rádio e naquela manhã tinha a rádio na mão e Bowie no coração. É uma "Absolute Beginner" de voz confortante.
Foi almoço. Na TV umas imagens simples, uns oráculos de lugar comum perdidos entre o David camaleónico e o Bowie lenda viva. A música é mais do que trivialidades.
E a Radar continuava, desta vez com um programa de rádio (Star Special) de Bowie para a BBC, absolutamente único [ouvir aqui].
De seguida com Pedro Ramos. Abriam-se garrafas de vinho com Bowie em pano de fundo. Esqueciam-se sinais horários, noticiários e outros assuntos que pouco interessavam naquele dia. Os Bowie portugueses (também os há!) começavam a falar sobre a perda. O sentimento da partida instalava-se aos poucos, o pesar era combatido nas batidas de "Sound and Vision" e alicerçado em "Heroes".

Mas a missa de 7.º dia ocorreu no Lux na festa "Loving The Alien". No altar os DJs de serviço: lá em cima os da rádio, no piso de baixo os residentes. Tudo se tornava mágico naquele fim de Domingo (17/01). O bar estava aberto, todos sentiam o que Bowie tinha sido para si individualmente, e exteriorizavam em pulos e danças rítmicas em colectivo. Todos eram Bowie naquele momento. Ouvia-se "Eu amo este gajo!". Enquanto isso, o próprio passava na fachada e nos ecrãs gigantes em imagens escolhidas religiosamente. Bowie é imagem também. É música e é letras bonitas para cantar sozinho ou em grupo. Todos cantaram. Destaque para o "Under Pressure" pela mão de Nuno Galopim e para o "Absolute Beginners" que causou umas lágrimas. Estava a ser bom, mas no fundo havia a esperança que a qualquer momento descesse do terraço o Major Tom, vestido de eternidade, a sorrir. Não tenho duvidas que passou por ali naquele momento, acenou e partiu em direção ao rio. Satisfeito.



Bowie desapareceu.
Perversamente as vendas dispararam. Bowie não era vendas nem fortunas. Bowie foi tudo o que é hoje - um artista completo que moveu o mundo. Criou e alertou para a criação.
Bowie gravou 26 álbuns em estúdio, 9 álbuns ao vivo, 5 EPs, 108 singles e 3 álbuns de banda sonora. Foi ator e realizador de si próprio.
Na sua morte descobrimos uma parte de Bowie que só seria desvendável depois de morrer. Descobrimos que disse não a artistas e que apoiou muitos em que acreditava. Foi também na morte de Bowie que muitos se inspiraram exorcizando íntimos: os artistas plásticos pintaram-no, os cantores homenagearam-no. Houve exposições, houve paradas, houve festas... e continuará a haver sempre o tema David Bowie.

Com ele cresci e descobri-me. Com ele continuarei nesta caminhada que aos olhos dele deve ser pouco interessante.
Bowie desapareceu. Ainda estamos a tentar encontrá-lo.

Até breve Mr. Jones.




  




domingo, 17 de janeiro de 2016

Late@Night with David Bowie



Da genialidade para a eternidade, é assim que continuamos a amar o alien. Há Bowie em todos nós.

Estas são as minhas escolhas para um Late@Night especial [ouvir aqui]:

David Bowie - Space Oddity
David Bowie - The Man Who Sold The World
David Bowie - TVC 15
David Bowie - Absolute Beginners
David Bowie - Changes
David Bowie - Dancing In The Street (ft. Mick Jagger)
David Bowie - Ashes To Ashes
David Bowie - Let's Dance
David Bowie - Fashion
David Bowie - Under Pressure (ft. Queen)
David Bowie - China Girl
David Bowie - Modern Love
David Bowie - Rebel Rebel
David Bowie - Loving The Alien
David Bowie - Where Are We Now?


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

A revisão do ano de 2015


A habitual revista do ano vem tarde... 

Este foi um ano rico em regressos, rico em álbuns e algumas desilusões.
Começo pela Björk, que não me entusiasmou com o seu Vulnicura. Lançado no inicio de 2015, foi repetidamente ouvido na esperança que algo se viesse a descobrir debaixo das pedras que Björk teima em construir nos seus álbuns. Desta vez não o incluo no TOP 10. 

Também o "Depression Cherry" dos Beach House mostrou ser mais do mesmo, quando os Beach House já marcaram um estilo, é tempo de arriscar e fazer diferente, com novos ingredientes ou novas receitas. 
No mesmo sentido "Hairless Toys" de Roisín Murphy caminhou por novas sonoridades, desta vez não foram bem sucedidas. Álbum de (poucos) temas fortes que não ganhou a minha perdição. Houve álbuns discretos de Chemical Brothers, Django Django, Wilco, ... que não se tornaram em nada mais do que... mais um álbum...

Este foi um ano de regresso dos Duran Duran, dos Blur, dos New Order e, claro, de Sufjan Stevens. O ano ganhava assim outra cor e um novo fôlego. 
Foi um ano dançável: ano de Panda Bear e de Jamie XX que dificulta o regresso dos The XX em banda. 

Foi também um crescendo de música portuguesa: a Márcia com o seu "Quarto Crescente", David Fonseca com inteligência comprovada em "Futuro Eu"e os Mirror People com o mágico "Voyager". 

Como habitual, pedi a amigos para fazerem as suas escolhas. 
Desta vez prova-se que foi um ano com pouca disponibilidade para a música, poucos responderam. Muitos pedem que se repita o convite e que exista sempre o mote para se pensar e repensar na música. Há também os que juntaram aos seus desejos de 2016 mais e melhor audição, mais tempo e mais sabor na forma como se acompanha a música. 

Deixo as escolhas do Luís, a quem agradeço por participar sempre! e as minhas:

Luís Moita:

1- Sufjan Stevens - Carrie & Lowell
2 - Destroyer - Poison Season
3 - Patrick Watson - Love Songs For Robots
4 - Julia Holter - Have You In My Wilderness
5 - Bill Fay - Who Is The Sender
6 - Low - Ones & Sixes
7 - Jamie XX - In Colour
8 - Blur - The Magic Whip
9 - Soak - Before We Forgot How To Dream
10 - Tame Impala - Currents

Menções Honrosas

John Grant - Grey Tickles, Black Pressure
Lianne La Havas - Blood
Paul Weller - Saturns Pattern


Filipe Graça:

1- Sufjan Stevens - Carrie & Lowell
2 - Tame Impala - Currents
3 - Jamie XX - In Colour
4 - Destroyer - Poison Season
5 - Courtney Barnett  - Sometimes I Sit And Think And Sometimes I Just Sit
6 - Julia Holter - Have You In My Wilderness
7 - New Order - Music Complete
8 - Duran Duran - Paper Gods
9 - Panda Bear - Panda Bear Meets The Grim Reaper
10 - Blur - The Magic Whip

A minha faixa em repeat: IAMX - "Happiness"
O concerto que transpirou magia: não tenho. 




domingo, 19 de julho de 2015

Portamenton’air #7

Está disponível o Portamenton’air #7, com escolhas para uma noite de verão ao relento.


Para ouvir [aqui]


1. Tame Impala – ‘Cause I’m a Man

2. Django Django – First Light

3. FFS - So Many Bridges

4. IAMX - Happiness

5. Mirror People – Come Over

6. Panda Bear – Principe Real

7. Unknown Mortal Orchestra - Can't Keep Checking My Phone

8. WhoMadeWho - Ember

9. Summer Heart - Beat Of Your Heart

10. RAC - We Belong (Ft. Katie Herzig) (ODESZA Remix)

11. Wilsen – Garden

12. The Drums - Kiss Me Again (RAC Mix)

13. Hot Chip - Cry For You

14. Sufjan Stevens - Should Have Known Better

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Vamos a coisas sérias: Tame Impala

É 13 de Julho e os Tame Impala disponibilizam o seu terceiro álbum em streaming por todo o mundo apesar de só estar disponível nas lojas a 17 de Julho com o título "Currents".

Já prevíamos que este era um álbum especial, depois de ouvirmos o single que aos poucos se conheceu e se entranhou nas várias culturas e subculturas da música. A grande proeza deste terceiro álbum é a capacidade de conseguir chegar a vários tipos de ouvidos. Estou certo que muitos o vão eleger o álbum do ano, outros dirão que a banda mudou o percurso e não gostam. Sendo completamente irrelevante o sentido das opiniões, diria que existirão vozes unânimes que o vão considerar o melhor álbum da banda. E é!

Antes dos trabalhos preparatórios que conduziriam ao "Currents", assistimos a uns exercícios curiosos de Tame Impala no pós "Lonerism" (segunda álbum da banda), que encetava um caminho diferente, recordemos o que aconteceu com a versão de "Stranger In Moscow" do original de Michael Jackson, e outras brincadeiras que andaram pelo Souncloud. 


O caminho fez-se de forma exemplar, os Tame Impala nunca desapareceram, não se retiraram para fazer o seu novo trabalho, trabalharam em paralelo com concertos e digressões, mesmo durante a ameaça inerente relacionada com a saída de Kevin Parker (voz e guitarra). Parte da melancolia e da depressão escondida em alguns temas era atribuída a Parker. Mas a banda reagiu, Parker explorou, trabalhou e rompeu com o passado. Este terceiro trabalho é muito diferente na abordagem e na sensibilidade. É inegável que Parker questionou-se e arriscou um novo caminho, e é com o seu empenho e dedicação, que para além da habitual guitarra e voz, desta vez escreveu, compôs, gravou, produziu e misturou do principio ao fim.



Penso neste novo trabalho como o levantar do pano aos "nascidos das cinzas" e talentosos Tame Impala. O próprio alinhamento é bastante esperançoso. A abertura é feita com o single "Let It Happen" já muito rodado (demais até), como consequência do lançamento precoce. Tenho francas duvidas se estamos perante o melhor tema dos 13 apresentados. Apesar da carga mediática, percebemos há meses que vinha a caminho um álbum diferente logo à partida porque a composição melódica era completamente diferente, a bateria e a voz em linhas inovadoras e a quase ausência de guitarra. 


Quando a certeza da inversão de percurso se instala nos vários temas que vamos entretanto percorrendo, passamos por "Yes I'm Changing" onde existem evidências da mudança assumida pela banda não só ao nível da sonoridade, mas estruturais. Não tenhamos duvidas que estamos perante um trabalho marcado e feito para romper com os trabalhos anteriores. Os australianos (ou só mesmo Parker) querem agora uma banda mais pop e mais festiva do que o rock psicadélico que apregoaram durante quase 10 anos, que foi bom e do qual vamos ter saudades. 

Nem sempre a mudança tem de significar uma transformação pesada esquecendo determinados contextos. Os Tame Impala garante a continuidade da emotividade, do amor e das relações humanas espelhadas nas letras bem escritas e delineadas no comum. Continuam a existir temas poderosos como "'Cause I'm a Man" com um refrão simples "I'm a man, woman/ Don't always think before I do" ou mesmo "Eventually" e "The Less I Know the Better".


Hoje, mais próximos que nunca da cultura indie pop, resta-lhes darem provas ao vivo. Imagino um palco grande onde este álbum possa existir, com um alinhamento poderoso, gradual, com luzes, efeitos e muita energia. Talvez assim consiga esquecer algumas nódoas que tenho relativamente à prestação ao vivo dos Tame Impala. Torna-se evidente que medo de arriscar não existe, ainda que nestas circunstâncias a mudança pode constituir o fim de uma banda, mas este é o renascer de uma banda que estava doente. 

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Do Kimono de Sparks à duplas contemporâneas - FFS



Já tínhamos observado uma certo fascínio pelos Sparks na era moderna. É um facto que a banda dos 70’s marcada por ritmos e sonoridades características foi uma espécie de reinvenção do seu tempo, aliada a uma certa euforia daquelas épocas.

Em 2006, numa noite quente do Sudoeste, os Humanos brindavam os portugueses (e só estes poderiam ter a perceção correta), com um concerto mítico assente em temas de António Variações. David Fonseca e Manuela Azevedo anunciam um tema em inglês, que escolheram para aquele momento, lembrando que António Variações também ia gostar de o tocar. Inicia-se talvez um dos momentos principais daquele concerto que retive para sempre na minha memória: “This Town Ain't Big Enough For Both Of Us” – tema dos Sparks, interpretação de David Fonseca e Manuela Azevedo.

Os Sparks não eram uma banda do momento apesar de continuarem a produzir álbuns e a de serem considerados relevantes na cena eletrónica experimental e new wave. Estudei e interessei-me pelos Sparks, a investigação espelhava-se em álbuns vários, e tornou-se completa quando se chega a “Kimono My House” de 1974. Descobri que existiam sonoridades novas e letras fabulosas, meio infantis, quase despropositadas mas cheias de sentido estético.

Volvidos mais de 10 anos desde a sua formação, os Franz Ferdinand, a banda que se relevou ao público português também num Sudoeste, querem os Sparks consigo. Encontram ligações e lançam “FFS” – Franz Ferdinand & Sparks, a super banda de indie rock de 2015. Talvez seja exagerado o título de super banda, não teve esse impacto, mas como será um concerto com esta maralha toda? É uma banda de álbum ou uma verdadeira banda ao vivo? Podemos bisbilhotar os vídeos gravados recentemente no Bataclan em Paris ou no Festival de Glastonbury, e ficamos com a certeza que as duas bandas formam um ambiente mágico, os novos e os velhos, as vozes frescas e as amadurecidas, os americanos e os escoceses, os temas de uns e de outros tocados por todos. Podem não ser uma super banda, mas é um super som.



A crítica não é brilhante, é unanime que a junção de duas bandas poderosas não é genial, mas estou certo que as seis caras que agora dão corpo a uma sonoridade conjunta torna-os ecléticos, especiais, com um bom gosto intrínseco. Não tenho duvidas que nos vamos lembrar de FF(&)S e de 2015, sobretudo quando se perceber que este é um álbum obrigatório.